Estou há dois anos trabalhando no marketing de uma empresa que desenvolve softwares, por isso não é tão difícil falar de tecnologia, já que ela faz parte do meu dia-a-dia. Mas não é só no trabalho, é na vida, como um todo, que ela ocupa um espaço cada vez maior.
Morei até os 14 anos em fazenda, e quando conto aos meus filhos sobre como era, eles me olham como se eu estivesse falando de algo que não é real, de algo que eles não conseguem imaginar que existe ou existiu... Não havia praticamente nada da vida moderna. Morávamos em uma casa de sapé, no meio do nada, sem vizinhos próximos, sem luz elétrica ou água encanada. Os alimentos eram preparados no fogão à lenha, a roupa era passada com ferro esquentado por brasas e a louça era lavada em bacia com água, que buscávamos com baldes, em poço ou no riacho. O banheiro, bem... sem comentários, era uma casinha bem longe da casa principal, com um buraco horrível... repugnante! Mas era a minha realidade e ainda hoje é a realidade de algumas pessoas. O nosso meio de transporte era uma carroça, puxada por uma mula branca, que quando cismava de empacar, não adiantava a surra que o meu irmão mais velho lhe dava, não saía do lugar de jeito nenhum.
Por que estou contando tudo isso? Por que tenho uma noção clara de como a tecnologia interfere na vida das pessoas. Mudou radicalmente minha vida. Não me deixou mais inteligente, mas com uma cultura mais ampla. Por outro lado, não me fez ter mais tempo, a impressão que eu tenho, é que as 24 horas de hoje são muito, mas muito mais velozes do que as 24 horas que eu passei na adolescência, em que lia livros inteiros, tirava leite, brincava e escrevia jornaizinhos mesmo antes de saber que aquilo que fazia se chamava jornal.
Que ela facilita a minha vida? Não tenho dúvida, e fico imaginando que não viveria sem vários itens tecnológicos. Mas é uma impressão errada, porque já vivi o outro lado da moeda, e sei que ela torna minha vida mais simples, certamente, mas eu fui muito feliz na infância mesmo sem usufruir diretamente dela.
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